André Luiz B. da Silva, mais conhecido como André Anlub. Sou Deista, tenho 39 anos, Nasci em Belém do Pará e fui para o Rio de Janeiro com menos de um ano de vida.

Vivi 32 anos no Rio (capital) e me mudei para a Cidade de Petrópolis onde fiquei 6 anos, atualmente resido no Nordeste.

Sou Protético Dentário formado pela SPDERJ, Artista Plástico que agora se arrisca em esculturas grandes e amo escrever e boxe. Acabei de lançar um livro de poesias intitulado "Poeteideser", "Poeta Hei de Ser".

Já fui músico, toco percussão e bateria desde pequeno, toco gaita e estou arranhando no piano.

"Gosto muito de escrever, gosto de poesia, gosto de pintar, tocar bateria, gosto de viver longe de vida vazia, Faço das artes, minha orgia." (André Luiz Anlub)

Meu Livro: Poeteideser (Poeta Hei de Ser) R$13.oo - Já com Envio. 230 páginas com poemas, acrósticos, duetos e algumas trovas.
O livro foi lançado no final de fevereiro e está com preço super popular!
Pedidos para aquisição do livro: andreanlub@hotmail.com

PERDIDO NO ESPAÇO

Viajo por entre galáxias
Estrelas cadentes
Buracos negros
Na velocidade da luz

Espelho-me em grandezas
No infinito
No belo, bonito
Em muitas certezas
Inclusas no tempo e na imaginação

Contudo me acho
Perdido no espaço
Sem pé nem cabeça
E com muita incerteza
De um ser que retorna
De volta ao chão

Vejo-me inseguro, tonto em perigo
Meu próprio inimigo
Poeira estrelar
Em um eco obscuro
Anéis de Saturno
Construo um abrigo
Em um planeta vazio
Chamo de meu lar

André Anlub



UM FUTURO SER COMPLETO


Saber viver, saber esperar
Tudo no contra tempo da situação
Montar no mundo e cavalgar
Largar o cogente por só querer
Se o tempo é sua Nêmesis
Levante e corra em qualquer direção
Saia do ostracismo de um abrigo
Essa solução é só enganação

No adjunto de tudo que te faz feliz
Vale a pena o tempo perdido
Se por um lado desce ralo abaixo
Por outro alimenta sua alma
Com sabedoria, tempo e muita calma
O mundo estará em suas mãos
Com paz, integridade e humildade
Tornar-se-á muito mais do que aprendiz

Ser um monge na pura meditação
Paira o silêncio ao se encontrar
Passeando ao redor do espaço tempo
Sem sequer ter hora para chegar

Totalmente de bem com sua vida
Sabiamente convida ao vivo o bem
Com sua mente muito bem na vida sã
Para conviver sabiamente com sua vida zen.

André Anlub



A Você


A você dedico meu tempo
Termino meu verso
Estampo meu cansaço no corpo e na alma
Desperdiço meu sangue que já é pouco
Choro muitas vezes por um sorriso
Outras por nada
Abaixo a cabeça
Me calo
Me inclino, reverencio
Aceito

André Anlub



COTIDIANO


Com idade de ser um homem feito
E com defeito que carregamos no peito
Faço uma rima com carinho e verdade
E não imagino como seria de outro jeito

E não aceito essa tal desigualdade
Com respeito durmo tranqüilo no meu leito
E acordo as cinco horas com muita vontade
Faço um verso para alegrar o meu dia

Vou correndo pra bendita labuta
Não vou xingado igual uns filhos da truta
Vou contente sabendo que mesmo a tardia
O meu salário aparece no bolso

O meu esforço jamais é a esmo
Minha índole continua um colosso
Por um momento paro e escrevo
Por um segundo paro e te ouço

Me dá um abraço e me deseje bom dia
Pego a marmita e encho de novo
Carne moída e um bocado de ovo
Para dar sustância e também energia

Logo às seis horas largo esse batente
Vou ao dentista arrancar mais um dente
E chego em casa com uma fome danada
Marco presença com minha doce amada.

André Anlub



A CERTEZA DO EXISTIR


Existe um amor permanente a cada expoente de um coração
Segue batendo latente, sem compromisso, sem dor e noção

Dentro de cada individuo divide uma vida em amor e razão.
Nele convive a certeza e com clareza sendo sim, sendo não.

Basta a sinceridade e a verdade da própria emoção
Quando se nela acredita não existe barreira que não caia ao chão

Já no final de tudo cabe achar seu par seu amor
Quando achá-lo contudo entre de cabeça com todo o ardor.

André Anlub



CURRICULUM POÉTICO


Começo pelo modo mais fácil
Entrego o meu ser por inteiro
Espero uma solução instável
Busco o dito amor verdadeiro

Nunca fui exigente demais
Também não sou perfeccionista
Visto a camisa da paz
Não vivo a vida seguindo uma lista

Não traio e não suporto traição
Atraio para mim uma forte energia
Dispenso qualquer tipo de apresentação
No sexo faço a dois a minha orgia

Amo a natureza em geral
O mar, sol, lua o sul e o norte
Penso que recíproca é uma coisa normal
Não temo, nem subestimo a morte

Dinheiro para mim não é tudo
Contudo, tê-lo não faz mal a ninguém
Grandeza muitas vezes é absurdo
Humildade sempre receberá nota cem

Não sou nenhum vegetariano
Amo um bom filé mignon
Faço aniversário todo ano
Não minto minha idade em vão

Não me importo com cor, religião ou time
Sou uma pessoa fácil de conviver
Não me chateio se falam que meu verso não rima
Mas fico triste se a pessoa não ler

André Anlub



A MÁGICA DO VERSEJAR


De tudo que já vi
Uma coisa me comove
Esse diz que não diz
Esse prende e absolve

Paro e fico pensando
Pego a caneta e "zás"
Encéfalo trabalhando
Um navio deixando o cais

Entro em alto mar
Letras aparecem do além
Velas vou içar
Meu momento zen

Saem algumas escritas
Entram novas lembranças
Desabafos vomitam
Um novo versejar se alcança

Deixo a maré me levar
Não tenho mais remos nem velas
Já sei aonde ancorar
Porto seguro quimera

André Anlub



UM FEDOR SEM PUDOR


Imaginação florida
Cheiro de podridão no ar
Urubu já na corrida
Para longe desse lugar

Era um chiqueiro sujo
Corpos valendo moedas
Homens eram “dito cujo”
Mulheres “pé de chinelas”

Tudo na mais imperfeita ordem
Tudo bem para quem é morto
Uma porta escrito “mortem”
Um esgoto mais que torto

Um fedor nauseabundo
Um pudor que não existe
Zumbis de outro mundo
Nessa vida que em lá persiste

A noite uma orquestra
De dia nem um barulho
De tarde uma quaresma
Sempre um cheiro de estrume

André Anlub



VÁRIAS CORES FORMAM VOCÊ


Seus cabelos pretos brilham
Sua pele branca reflete
Seus olhos castanhos enobrecem
Sua boca rosa, veludo
Um narizinho pontudo

Um queixo, lindo, um beijo
E um pescoço macio
Visível corpo sadio
Me fez gostar mais de você.

Suas mãos macias, maças.
Escrevem cartas de amor
Que dizem coisas bonitas
Muitas vezes escritas
em um momento de dor

Me toca, faz um carinho
Nunca me esqueça sozinho
Sua sombra no meu caminho
Uma abelha pousa na flor

E nessa flor não tem espinho
nunca estou abandonado
Ligeiramente apavorado
como um filhote no ninho

André Anlub



HOSPÍCIO

Salientaram no hospício
Ninguém iria comer
Injeções na testa
Mais que um sacrifício

Uma doutrina errada
Condições terríveis
Faces amarguradas
Pessoas mais que sensíveis

Não tinham valor algum
Exclusos da sociedade
Pessoas novas e de idade
Somavam um mais um

Indigentes, obscenos
Cenas do dia a dia
Pretos, brancos, morenos
Sujeitos a revelia

Desprezados pela verdadeira família
Inúteis sem poder reciclar
Cães expulso da matilha
Sem ter mais em quem amamentar

Aos montes iam se definhando
Em um frenético vai e vem
Homens mortos andando
Passos calmos pro além.

André Anlub



ARMAGEDDON

Nunca um céu se fez de feio
Nunca houve uma cor de fogo
Muitos galopes se ouviam à distância
Eram quatro homens ao todo
Ventos fortes surgiram num estalo
Tsunamis do além
O mundo esvaindo-se para o ralo
Uns orando para outrem
Os pecados vindo à tona
Abandono dos vinténs
Correria, fogo e ferro
Almas perdidas vagueiam
Feridas se abrem
O belo se faz feio
É a tristeza que invade
O fim não está próximo
Já chegou e fez moradia
O dia não mais existe
Faces de melancolia
Cães sem dono vagando nos destroços
Idosos tentando se equilibrar
Pessoas fazendo menções aos mortos
Cogumelos de podridão a brotar
Uns saqueavam o comércio
Outros deixavam para lá
Olhos ficando cegos
Elos a se quebrar
Todos no mundo são réus
A bola se partindo em duas
Os cavaleiros sorrindo no céu
Sempre acha quem procura

André Anlub



CITO UMA CERTA CURTA CARTA

QUE SINTO QUE CORTA

Nunca mais escrevas para mim
Angustia que me parte em bandas o coração
Moléstia, ignorância, azia
Colocou em uma carta tudo que seu corpo carrega em vão

Seria melhor se me esfaqueasse de verdade
Iria doer menos, por menos tempo
Mas continuaria sem razão

Em uma atitude vulgar descontrolada
Se diz dona de tudo, quase tudo ou nada
Coloca em um papel toda a raiva de um ser
Estende um tapete vermelho em direção a uma forca

Nunca me importei com sua realidade
Com suas inenarráveis situações
Suas soberbas, desigualdades
Com suas defesas de escorpião

Tente colocar no plural sua qualidade
Só compensa o amor se houver verdade
Devolvo a carta, comece tudo novamente
Mas agora escreva com a alma, o coração e com a mente

André Anlub



UM DIA BONITO É AQUELE


Um dia bonito é aquele
Que o céu está azul
Não está calor nem está frio
Pessoas sorrindo para pessoas amáveis
Uma leve brisa pura
Não existem aparentes problemas
Todos podem caminhar na praia
Lembranças agradáveis

Um dia bonito é aquele
Em que se tem um amigo por perto
Que se sabe o errado e o certo
E se acha o que nem se procura
Nunca embaixo de uma nuvem escura
E nem precisa ser culto ou esperto

Um dia bonito é aquele
A ser vivido a cada segundo
Como se fosse acabar o mundo
Um brilho intenso de energia positiva
Um dia lindo para nunca mais ser esquecido
Viver a vida como uma grande aventura

Um dia bonito é aquele
Começa com uma bela manhã
Orvalho nas plantas
Cheiro de hortelã
Muita esperança
Um quente e bom chá
Com boas torradas
Depois pego a pá
Planto uma árvore
Um pé de goiaba
Ou jacarandá

Um dia bonito é aquele
Que termina com uma bela noite
Sem desgosto, tortura
Com afagos, sem açoite
Sem nenhuma amargura
Mas que no fim sempre deixa sem resposta a pergunta
Qual a razão dessa vida, o que a gente procura?

André Anlub



NÓDOA (ÍNTEGRA)


Passou percebido como um terremoto
Teceu vários olhares
Sons inóspitos para alguns
Agradáveis para milhares

Rebeldia de uma meretriz
Capitalista convencional
Compra, comprará, comprou, quem quis
Absolutamente fenomenal

Mulher perfeccional e pérfida
Adjunta de tudo e todos que te convém
Sua índole muito maléfica
Fazia do mais importante um ninguém

Seguia com o nariz apontando para o céu
Fazia de qualquer Deus um réu
Mais bela, inteligente e realizada
Dona do tudo, quase tudo e do nada

Sempre foi uma rainha que não transige
Não precisava de um rei só
Não tinha dó, nem ré, mi, nem lá......
Quando morresse viraria ouro em pó

Essa rosa linda do jardim
Teu perfume surreal
És oferecidas para mim
Em uma crise existencial

Subjugava teus valores decorrentes
Não te importas com a dor
Nunca és coerentes
Somente de tua própria vertente

Engoles o mundo e arrotas
Esnobe como sempre és
Abre tuas idéias, comportas
Perfeitas da cabeça aos pés

Ergue muralhas de beleza
Sem fim e nem comparação
Melhor que a mãe natureza
Tens o universo nas mãos

Quando morreres virarás pó de ouro
Todos no mundo irão chorar
Pois perderam o maior dos tesouros
Nódoa, dona de tudo que há

André Anlub



MINHA ESCRITA


Peguei a caneta
Minha lança verdadeira
Comecei a rabiscar
Coisas sérias, besteiras
Algo triste, algo alegre
Frases simples, outras não.
Dia a dia me persegue
Sublinhando a solidão

De tanto escrever verdades
De tanto nelas acreditar
O papel é paisagem
A tinta um pássaro a voar

Junto as letras, formam idéias
Junto idéias, meu viver
Os meus passos, centopéia
Levaram-me a escrever

Uma paixão inofensiva
Difundida no querer
Muitas vezes explosiva
Jeito alegre de sofrer

Sofrimento prazeroso
Pessoal e corriqueiro
Muitas vezes saboroso
Doce, brigadeiro

Nas vogais, nas consoantes
Nos acentos, nos acertos
Bem melhor do que era antes
Apagou o meu sofrimento

André Anlub



MINHA ESCRITA II


De repouso entre um suspiro e outro
Acamado entre o amar e ser amado
Coração bate forte sendo fraco
Pensamentos voam soltos, indo alto

Minha escrita está submersa em azul anil
Com sentimentos verdadeiros e inventados
Vagueia entre o real e o senil
Persegue o concreto e o abstrato

Língua solta e comprida
Profere idiomas mal falados
E alados levam poemas declamados
Aos ouvidos que se deixam ser ungidos

Uma dor quase sempre vira escrita
Escrivaninhas, com papiros, suas penas, velhas tintas
O que não se limita, muitas vezes quer ser lido
E o que é lido no respeito não se imita.

Segue assim até nascer do branco pó
O rebento que do chão fica de pé
Que se engasga com as empáfias, o alento
Por um momento ri de todos ao redor.

André Anlub



COMO PERGUNTAR A DEUS SOBRE A VIDA


Eu pergunto em uma oração, ou a uma criança?
Ao meu coração, Remexer na lembrança.

Simplesmente amar,
Caminhar com quem ama
Cumprimentar os amigos,
Os parentes queridos

Dar valor a natureza,
Deixar de lado a avareza?
Conhecer a pureza, beleza e grandeza de Deus

Abrir os olhos de manhã e
Agradecer mais um dia,
Levar uma vida sadia
Estender a mão ao doente e
Ajudar a quem vem em nossa mente

Não carregar as mágoas,
Não descarregar amargura
Viver uma vida segura,
Aturar a quem não me atura

Sentir todo o prazer de viver
Sem questionar o porque,
Pois o porque não se entende,
É um porque indiferente.

Agora descobri uma coisa
Tudo isso é possível,
Ao renovar a fé todo dia
O amor de Deus é visível.

André Anlub



SONETO DA HUMILDADE


Riqueza, Beleza sem humildade
É andar na contramão
Tudo isso é em vão
Não é nada, falsidade

Grande grandeza na sociedade
O âmago da emoção
Não é redundância não
É a mais pura verdade

Não carece esquecê-la
Pois tão bela é tê-la
Quem tem é rico, muitas vezes não sabe

Não se aprende na escola
Nem se acha em nenhum lugar nessa bola
Vive no coração de quem o abre

André Anlub



CONDOMÍNIO DE INOCENTES


A coisa mais bela
Uma abelha e a colméia
A natureza mostrando a cara
Muito além da minha idéia

Muitas vezes me pergunto
Quem criou toda essa graça
Tudo cheio de beleza
Com o tempero de desgraça

Andamos nos esquivando
Sem templo, sem igreja
Com fé e muita certeza
Com sonhos que estão voando

Buscando o fim da tristeza
Violência, maldade
Vida digna, notoriedade
Tudo na absoluta clareza

Nossos rebentos com segurança
Arrebentando as correntes
Que os prende as desesperanças
Um condomínio de inocentes

André Anlub



UM MAL LUGAR DA PSEUDO-VIDA


Com as mãos sujas de pecados
Corpos fortes, mentes fracas
Lixos espalhados por todos os lados
Ficam a empunhar as suas facas

Uns nus gritam abafados
Outros dizem ser soldados de Hades
Mas todos buscam se alimentar
Comendo os corpos estragados

Existe em frente um imenso mar de sangue
Com ossos e pedaços de carne
Na junção com a terra se forma uma espécie de mangue
Com pequenos moluscos que beliscam as faces

O cheiro de podre domina os lugares
Também no ar existem pequenas cinzas
De corpos queimados pelos calcanhares
Bocas abertas procurando brisas

A dor e o medo são cotidianos
Zumbis e moribundos vomitam maldade
A esperança e a vida há muito tempo padece
A única saída é pedir piedade

André Anlub



LAÇO EM PINGO D’ÁGUA

Um amor quase impossível
Dividido e abstrato
irremediável, irreversível
Sem visão, sem olfato
Sem audição, paladar e tato.

Buscando sair do ostracismo
Além do mais querer
Além de tudo que é vivo
Além do mero prazer

Se revirando em mil
Conquista a ser feita diariamente
Um enlouquecido jovem senil
Mil e uma faces, disfarces, vertentes

No âmago do coração
Infinitivamente se chamava de amor
Tão longe do alcance das mãos
Tão perto do alcance da dor

Princípio ativo do fim
Primórdios de uma paixão ainda crua
Ilimitadamente para dizer sim
Mas o “não” ainda perpetua

Busca consolo em quem te quer
Pena não existir tal figura
Roubando o coração de um qualquer
Castrando de outrem a paz e implantando amargura

André Anlub



PALAVRAS SEM NEXO


Inacreditáveis sorrisos banguélos
Discriminado pela aura da alma
Sol nascente na penumbra da noite
Gato branco na neve se acalma
Um grito mudo mais alto no fundo do poço
Um esboço da mais feia obra prima
Uma rima para recitar no calabouço
O osso na boca do cão que fascina
Na esquina a água escorrendo na latrina
Uma briga que envolve um grande colosso
Insuportáveis dias de manhãs escuras
Absurdas e volumosas nuvens parecendo algodão
O "não" como palavra de ordem nas ruas
Nuas, mulheres desfilam em vão
Os pigmentos das tintas que pintam o mundo
São misturados por Deuses, doentes, imundos e sombrios
Sadios ficam os desavisados
Armados até os dentes não sentem calafrios
O universo se acaba com o verso, com a história
A humanidade vira uma montanha de cinzas
As palavras sem nexo que trago nessas rimas
Vão ser enterradas, erradas, com a nossa memória.

André Anlub



HISTÉRICO, FRENÉTICO, FRENESI


De tudo um muito
Por pouco aos poucos
Ações julgadas por loucos
Que habitavam o seu encéfalo

Fugia de si mesmo
Perseguidos por vozes
Pedia silêncio a esmo
Aos falantes atrozes

Correndo sem direção
Cabelos voando ao vento
Mão e contramão
Ganhava tempo com o tempo

Expresso de pânico e fúria
Sangue quente na veia
Uma doença sem cura
Sua índole que esperneia

Chegou ao ponto final
Analisou-se com mais zelo
Viu que era um normal
Acordou de um pesadelo

André Anlub



SOMADO AO MAIS

DO MÚLTIPLO DO RESTO

Beija-me com todas as forças
Diga-me que sou eterno
Nunca me esconda que é moça
Quero viver amor paterno

Sempre no sossego da calma
Desnudo de satisfação
Negas a libido que alcança
Filha da disposição

Tudo somado ao mais do múltiplo do resto
Incesto que nunca ocorreu
És o meu por isso confesso
Embriaguei-me de um sangue teu

Seco por fora e por dentro
Molhado pela imaginação
Sorrindo de puro desprezo
Chorando bicas de solidão.

Um ostracismo ímpar
Incontestável peso na consciência
Ciência que nunca será resolvida
Pode chamar Freud e a realeza

Minhas palavras podem ser falácias
Mas são farmácias para te curar
Não há no ar remédio mais poderoso
Bebido, eleva em demasia sua grandeza

Nem sempre procurei em ti só beleza
Quero abrigo, anseio, sinceridade
Dispenso a atração carnal
Só atrai mais ansiedade

Por fim peço sua sola na minha face
Cuspa-me, me bata e arranhe
Que eu apanhe até perder a força
E que meu afeto eu mesmo disfarce.

André Anlub



A NAVALHA DE OCAMM

Entre todas as teorias em sua cabeça
Achei uma mais fácil de explicar e entender
Pergunta-me: por que pedir adeus?
Um trocadilho
Jamais, erroneamente, irá saber.

Se já deu no que foi
Não perpetue a casualidade
É egoísmo, pois não existe mais porvindouro
Falsa moralidade

Não me venha com mais explicações
Sente que as nuvens irão sumir
Pensa se o tempo pode parar
O ódio é um elo para desunir
Ainda acha que é loucura sentir e pensar?

Onde está a razão?
Onde está o sentimento?
Busca no âmago do interior
Com toda a redundância desse momento.

O terror de não ter mais emoção
Nessa ação que lhe faz tão bem
É a vontade de estar vivo
Voando a favor do vento
Mas sempre de encontro a um trem.

André Anlub



O OÁSIS DE CADA DIA

Deseje-me sorte em voz alta
É como carregar o embuste no colo
Cegue-me com areia nos olhos
Envenene-me coma saliva mais farta

Consigo a solidão de um espinho
Tenho a companhia de uma flor
Sou seu brinquedo de menino
Esquecido em qualquer gaveta
Com uma etiqueta, escrito “dor”.

Lua e estrela, combinação astral.
Brilho e beleza, só falta você.
No espelho d’água, trilogia perfeita
Tudo absolutamente normal

É a delicadeza que constrói você, seu quebra cabeça
É a pureza que circula por dentro
Na certeza de estar certa na seta que acerta o alvo
Tudo no seu devido momento

Agora vou indo com seus votos e coragem
Embriagado de otimismo e muita energia
Em uma vida que passa a minha frente como uma miragem
Buscando o oásis nosso de cada dia

André Anlub